O PLP 128/2025, regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 2.305/2025, entrou no radar do mercado como prioridade do Ministério da Fazenda e já pode ser tratado como um marco de inflexão na estratégia tributária das empresas. Embora o discurso oficial seja de redução linear de incentivos fiscais em 10%, o efeito prático para o contador é bem mais profundo — especialmente para empresas enquadradas no Lucro Presumido, com impacto relevante a partir de 2026.
Para quem atua com planejamento tributário, este não é apenas mais um ajuste legislativo. Trata-se de uma mudança que altera a lógica de competitividade entre os regimes, exigindo reavaliações técnicas que não podem ser deixadas para o último momento.
O que muda na prática para o Lucro Presumido
O ponto central do PLP 128/2025 está na elevação dos percentuais de presunção, o que, na prática, amplia a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A nova regra atinge empresas que faturarem a partir de R$ 5 milhões no ano-calendário, respeitando a proporcionalidade trimestral de R$ 1,25 milhão por trimestre.
Ou seja: não se trata apenas de grandes grupos. Estamos falando da faixa típica de empresas que já ultrapassaram o Simples Nacional, mas ainda operam dentro do teto de R$ 78 milhões/ano, as empresas do Lucro Presumido.
Com a mudança, os percentuais de presunção passam, na prática, de:
- IRPJ e CSLL Prestadoras de Serviço: de 32% para 35,2%
- IRPJ e CSLL Comércio/Industria: de 8% para 8,8% do IR e de 12% para13,20% na CSLL
Esse ajuste aparentemente “pequeno” gera um efeito direto na carga efetiva total, que sai de aproximadamente 10,88% para 11,97%, representando uma alta real próxima de 10% na tributação. Para empresas com margens apertadas, esse impacto não é marginal — ele compromete preço, caixa e competitividade.
Por que esse movimento muda o jogo para o contador
Até aqui, o Lucro Presumido sempre foi defendido como um regime de simplicidade operacional e, em muitos casos, de vantagem fiscal indireta, especialmente para empresas com margens superiores às presunções legais. O PLP 128/2025 corrige exatamente esse “descolamento” histórico entre margem real e base presumida.
Para o contador, isso significa que o argumento automático a favor do Lucro Presumido enfraquece. O regime deixa de ser apenas uma escolha operacional e passa a exigir análise econômica mais profunda, sob pena de gerar carga tributária maior do que o necessário.
O Lucro Real entra definitivamente no radar
Esse movimento não ocorre de forma isolada. Ele se soma à pressão já existente da Reforma Tributária do consumo, que vem alterando a lógica de créditos, cumulatividade e neutralidade tributária.
O cenário que se desenha é bastante claro:
- 2026 tende a ser um ano de reavaliação em massa dos regimes tributários, especialmente para empresas no Presumido;
- 2027 intensifica essa pressão com a CBS em alíquota cheia, substituindo PIS e COFINS e reduzindo ainda mais a vantagem comparativa do Presumido em determinados setores.
Nesse contexto, o Lucro Real deixa de ser uma exceção complexa e passa a ser uma alternativa tecnicamente defensável — e, em alguns casos, financeiramente mais eficiente.
Oportunidade estratégica para o escritório contábil
Do ponto de vista do escritório, o PLP 128/2025 abre uma janela clara de contabilidade consultiva. Este é o momento ideal para o contador sair do papel reativo e assumir posição estratégica junto aos clientes.
A agenda técnica agora passa por:
- revisão criteriosa dos enquadramentos tributários;
- simulações comparativas entre Lucro Presumido x Lucro Real;
- análise de margens, créditos e estrutura de custos;
- antecipação de decisões para evitar saltos abruptos de carga fiscal em 2026.
Quem deixar essa análise para depois corre o risco de explicar aumento de imposto quando já não há mais margem de manobra.
Conclusão: antecipar agora é proteger o cliente depois
O PLP 128/2025 não é apenas um ajuste de percentuais. Ele representa uma mudança estrutural na atratividade do Lucro Presumido e exige do contador uma postura técnica mais ativa, baseada em números, cenários e estratégia.
A boa notícia é que quem se antecipa transforma risco em oportunidade. Escritórios que dominarem essa transição fortalecem sua autoridade técnica, aprofundam o relacionamento com os clientes e se posicionam como parceiros reais de decisão.
Na ContabExpress, apoiamos escritórios contábeis na análise técnica de regimes tributários, simulações avançadas e decisões estratégicas diante das mudanças fiscais.
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Cinthia Carvalho
Sócia ContabExpress
Administradora pós-graduada em controladoria e auditoria pela FGV, com mais de 12 anos de atuação na área de auditoria tributária e no atendimento ao cliente.

